serradobrigadeiro.com.br

logo001

Guardiões da Serra

Olhando de cima, Minas é um mar de montanhas e nuvens. Daqui dá para ver a cidade, dá também para ver aquele lugar que fui quando tinha oito anos. Se você olhar bem, mais a sudeste, bem ali naquelas casinhas está meu pai e minha mãe. O vento bate forte aqui e é maravilhosa a sensação do frio com o suor, da mochila nas costas e de como a mão fica logo depois que tiramos as luvas.

Quando olhamos para baixo para ver o mundo, não há quem não fique em silêncio: daqui de cima minha cabeça vai longe e, olhando ao redor, vejo que todos estão imersos em pensamentos. Olho de novo para Minas e paro de pensar: quando a montanha fala, ficamos em silêncio.

Estamos no Pico do Soares, Serra do Brigadeiro, e não há lugar em que me sinta mais mineiro do que em cima de uma montanha. Meus melhores amigos também se sentem bem aqui e alguns deles estão comigo.

Olho para o Igor, dividimos um abraço e um olhar de “valeu a pena”, nenhuma palavra a mais é dita. Igor é meu amigo de infância e o Brigadeiro nos viu crescer, eu tenho minha história com a serra, o Igor tem a dele e nós temos várias em comum.

Olhando para baixo, penso que com certeza há milhares de histórias que vieram antes de nós. Afinal, quem é capaz de dizer qual é a verdadeira história da Serra do Brigadeiro? Meu amigo, afeito a desafios, tomou para si a responsabilidade de responder essa pergunta.

Hoje não estou no Brigadeiro, sequer estou em Minas, mas meu coração está com meus amigos, liderados pelo Igor Amorim Maia, que subiram mais uma vez a Serra para colher os depoimentos daqueles que lá estavam antes de nós.

O grupo, escolhido com cuidado, está recheado de talentos e é impossível não ficar empolgado com essa produção que vai explorar, não só as belezas visuais da serra, mas sua história e seus segredos.

O projeto teve a participação da Tagē, liderada por Edu e Talles, responsáveis pela captação das imagens do documentário. Mais do que mostrar a Serra e suas belezas, a equipe conseguiu, com muita sensibilidade, trazer à vida as histórias dos entrevistados, garantindo uma experiência autêntica.

Todo o processo foi documentado pelo fotógrafo e guia Shakal Carlos, que, com toda sua intimidade com o parque, coloca carinho em cada captura e tem sido responsável por eternizar cenas lindas da região, como essas aqui expostas nesta coluna.

Foi-me dito que a jornada até o Pico do Soares é retratada no fim do documentário, revelando suas piscinas naturais no final da trilha. De longe, lembro de todas as vezes que pude viver essas subidas de pico na Serra do Brigadeiro e, depois de ver o material, passo um café, coloco o álbum do Lô Borges para tocar e ligo para o Igor.

Entrevista com Igor Amorim Maia

Coluna Casas e Matas: Como surgiu a ideia do projeto?

Igor: Desde muito jovem, nutro uma profunda paixão pela Serra do Brigadeiro. Cada trilha percorrida, cada vista panorâmica admirada, alimentava ainda mais meu fascínio. No entanto, havia algo além da minha paixão pessoal que impulsionou a concepção deste documentário. Eu sentia a necessidade de dar voz aos que dedicaram suas vidas a proteger e preservar esse paraíso intocado. As histórias, as lutas e os triunfos dos guardas-parques, dos pesquisadores, dos biólogos e de todos os que trabalham incansavelmente nos bastidores mereciam ser compartilhados com o mundo. Com recurso da Lei Paulo Gustavo através da secretaria municipal de cultura, esportes, lazer e turismo de Fervedouro/MG, conseguimos produzir!

Coluna Casas e Matas: Você montou um “timaço” para produzir o documentário, como foi esse processo de escolha das pessoas envolvidas?

Igor: Para reunir a equipe, levei em consideração não apenas as habilidades técnicas, mas também o conhecimento e a conexão emocional dos participantes com a Serra do Brigadeiro. Cada membro da equipe foi selecionado por sua experiência e comprometimento com a causa da preservação ambiental e da divulgação da riqueza natural e cultural da região. Contamos com profissionais talentosos, mas também com pessoas que conhecem as trilhas e as histórias da Serra do Brigadeiro, garantindo uma abordagem autêntica e profundamente enraizada no conhecimento local.

Coluna Casas e Matas: Quem são os Guardiões da Serra presentes no documentário?

Igor: Conversamos com o Sr. Jair, o primeiro guarda-parque da região; com o Francisco José de Oliveira Ramos (Chico da Mata), o gerente atual e quem sabe como ninguém falar da evolução do parque; e também com a Laurielen, membro da equipe administrativa que trouxe, em números, o impacto do parque na região. 

Também trouxemos a visão do Braz Cosenza, pioneiro pesquisador do parque, que conhece os desafios e conquistas da pesquisa de preservação da fauna e flora local. Falamos com o Thiago Gomide, biólogo engajado na proteção dos muriquis em extinção, que compartilhou suas experiências e preocupações sobre a conservação dos primatas ameaçados.

Por fim, Anderson Filó (Branco) relatou a emocionante jornada de trazer de volta a trilha do Pico do Soares, uma conquista que resgatou um importante patrimônio natural para os visitantes.

Coluna Casas e Matas: Como foi gravar o documentário?

Igor: A dinâmica de produção foi muito colaborativa e foi muito fiel à essência da Serra do Brigadeiro. Desde o estágio inicial de pesquisa até a edição final, cada etapa foi realizada com um compromisso com a autenticidade do projeto. A equipe trabalhou com o objetivo de capturar não apenas as paisagens, mas também a alma do parque e de seus habitantes. O desenvolvimento do documentário foi um processo orgânico, guiado pela paixão por ele e pelo desejo genuíno de transmitir sua importância para o público.

Coluna Casas e Matas: O que podemos esperar do documentário?

Igor: O resultado final do documentário é uma jornada emocionante e esclarecedora que revela as histórias, os desafios e as conquistas por trás da preservação da Serra do Brigadeiro. Os espectadores podem esperar uma experiência imersiva que os levará desde os primórdios do parque, com relatos emocionantes do primeiro guarda-parque, até os esforços contemporâneos para proteger as espécies em extinção, como os muriquis. Além disso, serão apresentadas as belezas naturais da região, incluindo trilhas cênicas e piscinas naturais, tudo isso entrelaçado com depoimentos inspiradores e perspectivas únicas dos protagonistas que dedicam suas vidas à preservação deste tesouro ambiental.

Coluna Casas e Matas: Quando e como as pessoas poderão assistir?

Igor: O documentário terá sua estreia inicial durante a festa da cidade de Fervedouro, prevista para o final de abril. Após a estreia, o documentário fará um giro por diferentes comunidades da região em eventos locais e, em seguida, haverá uma sessão especial no auditório da serra. Por fim, o documentário estará disponível em uma plataforma digital, garantindo que seu impacto e sua mensagem alcancem um público ainda mais amplo.

As datas e os locais específicos das exibições serão anunciados em breve, então fiquem atentos para não perderem a oportunidade de conhecer, em primeira mão, os Guardiões da Serra.

Escrita por: Tiago Ornelas @tiagoornelas
Entrevistado: Igor Maia @igormimmaia
Fotografias: @shakalcarlos

março 22, 2024
Casas e Matas , Destaques notícias
0

Compartilhe com um amigo!